sentidos+
Publicado no Diário de Notícias, 30 de Agosto 2009 O som do motor do barco parece que vai estourar a qualquer momento. Ronco contínuo, ensurdecedor. É melodia de progresso em águas amazónicas. Transporte “abençoado”. Se o desligarem, só se ouve o ondular das pequenas ondas no rio Maguari, em Ananindeua, no norte do Brasil. É […]
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Sabemos que as viagens nos ludibriam os olhos. Mas mesmo assim, o pôr-do-sol que prometi ver em cada canto, sei-o, tem linguagens diferentes. Este não me respondeu à pergunta. Disse-me que talvez o próximo também se esquivasse a responder… Mas a paz depois foi esta…na Ilha de Cotijuba, nos arredores de Belém, das dezenas que […]
sons
“Moleque tinhoso” é o nome desta música melodia da autoria do cantor e compositor paraense Ivan Cardoso. Este áudio foi registado no dia 20 de Agosto nas docas de Belém, no Pará, Brasil, enquanto o músico cantava no Marujo´s bar…
imprensa
(Publicado no Diário de Notícias a 23 de Agosto 2009) Vende-se rapé ao lado da barraca do Nildo. O cupuaçu custa dois reais o quilo. A senhora de meia-idade tira a castanha-do-pará da casca dura com um canivete para as ensacar às dúzias. E, no final da feira, na esquina do emblemático mercado Ver-o-Peso, em […]
imprensa
(Publicado no Diário de Notícias a 23 de Agosto 2009) Não chove há duas semanas. Há qualquer coisa de vento pegajoso que se cola à pele, antes de a humidade se entranhar no corpo, nos olhos, no cabelo, até o suor deslizar abundante, sem secar. Depois, há qualquer coisa de verde espesso que se vê […]
sons
Pai Luiz é o mestre de cerimónias, em Belém, Pará, do “Tambor de Mina”, religião afro-brasileira criada pelos escravos do Maranhão e Amazónia. Aqui o caboclo é a entidade que “vai entrando” no pai de santo, para curar os males de espírito. É a religião que tem Marquês de Pombal e Dom Sebastião como entidades […]
sentidos+
O mundo começa aqui. Sem coordenadas reais. Com bússolas que sentem. Azimutes desalinhados, que se seguem pelo som do vento, o gosto das águas, e o abraço das gentes. O mundo começa aqui num grão de areia. Numa viagem de mil viagens. Num alfabeto reinventado: com ar nas veias para levitar. Com rasgos nos olhos […]
sentidos+
As viagens são janelas sem vidros. São saídas de emergência em constante SOS. Ar fresco que passa pelo corpo e leva a alma atrás. As viagens são caminhos para chegar a casa, sempre. Às milhares de casas que ainda nos esperam de portas abertas, como abraços que nos fazem escorregar. Esta viagem não inicia aqui. […]
sons
Um pouco de nós e das gentes que se fazem, fizeram, hão-de ser… Ele começa exactamente do ponto de partida onde estamos. Dos contextos de resgate de sinais que são pó, água, rugas entranhadas na pele que dançam, cantam, sentem, são. O mundo começa aqui, quando a voz nos falha e voltamos a resgatá-la; quando […]