{"id":992,"date":"2009-11-29T14:10:38","date_gmt":"2009-11-29T17:10:38","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=992"},"modified":"2009-11-29T18:34:44","modified_gmt":"2009-11-29T21:34:44","slug":"povo-mura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=992","title":{"rendered":"Povo Mura"},"content":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 o povo Mura?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivem actualmente no estado do Amazonas, com uma popula\u00e7\u00e3o de 9.275 mil habitantes&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Localiza\u00e7\u00e3o: Habitat tradicional nas bacias dos rios Madeira e Pur\u00fas. Hoje encontram-se localizados na Bacia do baixo rio Madeira, expressivamente no rio Autazes e baixo Pur\u00fas no lago Ayapu\u00e1. Tamb\u00e9m exist\u00eancia de alguns grupos dispersos ao longo dessas bacias e que n\u00e3o se auto-identificam como povo Mura. Sudeste do Estado do Amazonas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3rico<br \/>\nOs MURA, como todas outras etnias do Amazonas, sofreram grandes devassas tanto em seus territ\u00f3rios quanto nos seus usos e costumes culturais. A hist\u00f3ria relata, com documentos comprobat\u00f3rios, da participa\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gias usadas pelos colonizadores para \u201climpar\u201d \u00e1reas habitadas por grupos ind\u00edgenas.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ad\u00e9lia Engr\u00e1cia de Oliveira, na introdu\u00e7\u00e3o aos autos da devassa contra os \u00edndios Mura (1986:1) narra&#8230; \u201cSabe-se que eles, os quais faziam das canoas suas casas, que como \u201c\u00edndios de Corso\u201d abrangeram uma grande \u00e1rea de a\u00e7\u00e3o que se estendia da fronteira do Peru at\u00e9 o Trombetas, que se destacaram nas tentativas de recha\u00e7ar a invas\u00e3o dos civilizados em seus territ\u00f3rios; sendo aguerridos, destemidos e usando t\u00e1ticas especiais de ataque, que enfim, com suas incurs\u00f5es e \u201ccorrerias\u201d atemorizaram a Amaz\u00f4nia do s\u00e9culo XVIII, ficaram no entanto, historicamente conhecidos como os grandes vil\u00f5es dessa regi\u00e3o&#8230; E verdade que os \u00edndios Mura atacaram as canoas que iam ao com\u00e9rcio das \u201cdrogas do sert\u00e3o\u201d; que impediram o estabelecimento dos portugueses, a a\u00e7\u00e3o das miss\u00f5es e das guarni\u00e7\u00f5es militares em vasta regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia; que abrigaram vilas que ent\u00e3o surgiam como as atuais cidades de ltacoatiara e Borba (rio Madeir\u00e1)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00e3o perderem suas vidas e suas formas pr\u00f3prias de organiza\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e religiosa. Muitas vezes era defendendo suas vidas, suas terras e suas formas de pensar, sentir e agir que davam motivos para que contra eles se fizesse uma \u201cguerra justa\u201d, exterminando-os e facilitando a penetra\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o portuguesa na \u00e1rea amaz\u00f4nica, como ocorreu no caso dos Mana\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era de tal ordem o temor causado por este grupo ind\u00edgena que o ouvidor Sampaio, intendente geral da Capitania de S\u00e3o Jos\u00e9 do rio Negro naquela ocasi\u00e3o, fez o seguinte coment\u00e1rio: (1) \u201cconjeturo, que se n\u00e3o d\u00e1 prompto e efficaz remedio para inteiramente profligar, e destruir esta na\u00e7\u00e3o, que por sua natureza conserva cruel, e irreconsiIi\u00e1vel inimizade com todas as mais na\u00e7\u00f5es, n\u00e3o exceptuando os \u00edndios: Que professa por instituto a pirataria, grassando por todos os lugares de p\u00fablico transito, em que deve haver maior seguran\u00e7a: Que nas suas guerras, e assaltos usa a mais barbara tirannia&#8230;: Que apenas d\u00e1 quartel a algum rapaz, que depois de ferido, e impossibilitado de fugir, chega a captivar; e ainda assim para o reduzir a escravid\u00e3o: Motivos estes que n\u00e3o somente justific\u00e3o contra esta na\u00e7\u00e3o a mais infurecida guerra, mas que apersuade huma indispens\u00e1vel obriga\u00e7\u00e3o fundada no interesse, bem da paz, e seguran\u00e7a da sociedade universal das na\u00e7\u00f5es Americanas, e colonias deste continente: se n\u00e3o d\u00e1, digo, rem\u00e9dio a tantos, e t\u00e3o universais damnos, ou se reduzir\u00e3o a nada as colonias, e estabelecimentos dos rios Amazonas, Negro, Madeira e Japur\u00e1, ou experimentar\u00e3o o estado de languidez, e diminui\u00e7\u00e3o, que necessariamente lhes causa o temor dos Muras, e por hum c\u00e1lculo bem moderado se pode inferir, que o augmento, que tem, seria quadruplicado, e se seguros os moradores se applicassem \u00e0 agricultura, ao commercio, e a navega\u00e7\u00e3o essencialmente necessaria neste paiz, para adiantar huma, e outro (Sampaio 1825:75-76).\u201d Colocava-se, pois, na destrui\u00e7\u00e3o dos Mura, a possibilidade de aumentarem e se expandirem as povoa\u00e7\u00f5es da ent\u00e3o Capitania de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas as tribus da Amaz\u00f4nia foi esta a que mais extenso territ\u00f3rio occupou espalhando-se das fronteiras do Peru at\u00e9 o Trombetas. Sendo que sua sede primitiva foi o rio Madeira. (cf. Nimuendaju, 1925:140)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nimuendaju (1948:256) acredita que os Mura tenham procurado \u201cprote\u00e7\u00e3o entre os \u201ccivilizados\u201d, n\u00e3o s\u00f3 pelos ataques dos Munduruku mas tamb\u00e9m por causa das expedi\u00e7\u00f5es punitivas, ado\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os alien\u00edgenas e epidemias como sarampo e bexiga\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eram os Mura os \u00fanicos ind\u00edgenas respeitados pelos ditos \u201ccivilizados\u201d e, foi a gan\u00e2ncia destes que transformou os Mura de pac\u00edficos pescadores num terr\u00edvel flagelo que durante mais de 100 anos pesou sobre grande parte do atual Estado do Amazonas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Mura embora fossem massacrados, n\u00e3o desistiam da luta. Como bem ilustra o seguinte relato: Tropas colonizadoras surpreenderam uma maloca, \u00e0s seis horas da tarde \u201cdeitando-lhe huma linha de cerco por \u00e1gua, e por terra. Os homens, rompendo a linha, fugir\u00e3o: As mulheres com suas crian\u00e7as, e todos os rapazes e raparigas lan\u00e7ar\u00e3o-se \u00e0 \u00e1gua aquererem ganhar huma ilha fronteira, em tempo, que ahi ainda n\u00e3o tinh\u00e3o chegado as canoas (&#8230;) morrer\u00e3o todos afogados em n\u00famero de trezentos e tantos\u201d (segundo um an\u00f4nimo: cf. illustra\u00e7\u00e3o 1826).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os conflitos dos Mura com a sociedade regional culminaram com sua participa\u00e7\u00e3o na Cabanagem, ao lado dos rebeldes. Os Mura sofreram tantas baixas que optaram pelo isolamento em regi\u00f5es de ref\u00fagio, a exemplo do subgrupo Mura, os Mura Pirah\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Darcy Ribeiro, (1979:37-41), relata que: \u201cOs Mura habitavam primitivamente as terras da margem direita do m\u00e9dio Madeira onde enfrentaram os primeiros brancos que tanto subiam o rio vindos do Amazonas, como desciam, vindos de Mato Grosso. Gra\u00e7as ao sucesso de suas t\u00e1ticas de povo canoeiro, contra invasores que navegavam em pesados batel\u00f5es, os Mura expandiram-se passando a ocupar um extenso territ\u00f3rio ao longo do Madeira at\u00e9 sua foz e da\u00ed pelo Amazonas e Purus acima, concentrando-se, principalmente, na regi\u00e3o do AUTAZ. Desta posi\u00e7\u00e3o, dificilmente acess\u00edvel pelo intrincado sistema de lagos, furos e canais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Nimuendaju, guarni\u00e7\u00f5es militares foram criadas para fazer frente aos Mura e organizaram-se diversas expedi\u00e7\u00f5es punitivas que anualmente os perseguiam em seus ref\u00fagios (Nimuendaju, 1925). Mas \u00e0 for\u00e7a de guerrearem com os crist\u00e3os, os Mura, como tantos outros \u00edndios, acabaram por conhecer alguns dos seus elementos de cultura, como as armas de fogo e as ferramentas, a cujo uso se foram acostumando. A despeito disto e das baixas que sofriam, os Mura se conservaram independentes e host\u00eds at\u00e9 1784, quando surgiu na regi\u00e3o uma outra tribo que lhe imp\u00f4s s\u00e9rio rev\u00e9s. Eram os Munduruku, do rio Tapaj\u00f3s, que vinham expandindo-se para o rio Madeira. Vendo-se entre dois fogos, alguns grupos Mura procuraram espontaneamente uma vila \u201ccivilizada\u201d propondo paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de quarenta anos ap\u00f3s a redu\u00e7\u00e3o, em 1826, escreve o an\u00f4nimo que: \u201cEst\u00e1 este gentio no Rio Negro em toda a parte em mal\u00f3cas, de mais, ou menos em n\u00famero, e n\u00e3o se querem unir \u00e0s Villas e lugares, pela opini\u00e3o que entre elles h\u00e1, que os querem escravizar como os outros Indios: opini\u00e3o que he necessario desvanecer por meio das persuas\u00f5es das vantagens que resulta da sociedade (cf. illustra\u00e7\u00e3o). Mais adiante acrescenta: Com effe\u00edto, ha quarenta, para quarenta e hum annos que esta tribu genntilica se congrassou comnosco, ainda n\u00e3o houve quem olhasse compassivo para estes miseraveis!! Convida-se aos gentios Mau\u00e9, e Maduruc\u00fa para formarem Missoens e d\u00e1-se-lhes Missionarios!!! Dir-me-h\u00e3o: os Muras n\u00e3o se sugeit\u00e3o \u00e0 povoa\u00e7\u00e3o. Que diligencias se tem feito para isso? Quantos Mission\u00e1rios se lhes tem dado para os agraciar e que se persuad\u00e3o que he seu Miss\u00edonario? Nenhum. Alguns mand\u00e3o baptizar os filhos innocentes nesta, e naquela Freguesia; que para o futuro vem a causar huma confus\u00e3o, &#8230;com authoridade, soffrimento, e paciencia he poss\u00edvel concordar os animos, e pareceres, e tirar estes gentios da sua grocer\u00eda, e estupidez; e formar com elles estabelecimentos estaveis, e rendosos, \u00e0 que naturalmente he o seu temperamento analogo&#8230; Est\u00e3o estes gentios preoccupados da id\u00e9ia, que os Magistrados querem escravisallos, como tem por muitos modos encontrado. De nenhuma sorte consentem, que os filhos seus menores se apartem do seu seio&#8230; O genio bravo, e altivo, como transcedente dos seus maiores, sempre mostr\u00e3o, &#8230;em todas as occasioens que os atac\u00e1o. Em 1818 varar\u00e3o com huma flexa o Mineiro Alexandre pela barriga, quando se recolhia \u00e0 Mato Grosso: que morrendo no Hospital da Barra, confessou, ser elle mesmo causa da sua morte, por ter tido a ousadia de tomar ao lndio a sua propria mulher. Em 1820 matar\u00e3o \u00e0 dous Soldados do destacamento do Crato, por lhes tomarem violentamente as suas montarias carregadas de tartarugas. Semilhantes \u00e0 estes casos diariamente est\u00e3o acontecendo. (illustra\u00e7\u00e3o 1826).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Rodrigues &amp; Oliveira (1977:09), os Mura havendo sido vitimados por epidemias, pelos ataques de guani\u00e7\u00f5es militares e civis, enfim, pelos efeitos dos contatos com os \u201ccivilizados\u201d, os Mura que eram considerados um dos maiores grupos tribais da Amaz\u00f4nia e que por diversos meios procuraram evitar esses contatos, conforme foi mostrado anteriormente, acabaram por pedir a paz e se integraram aos povoados rurais das cercanias onde viviam, devendo ter diminu\u00eddo muito em n\u00famero e perdido grande parte do seu acervo cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caracter\u00edsticas Culturais<br \/>\nEm decorr\u00eancia dos dois s\u00e9culos de intenso e violento contato com a sociedade regional; do forte processo de miscigena\u00e7\u00e3o da difus\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas, etc., Os Mura foram sendo progressivamente absorvidos pela civiliza\u00e7\u00e3o com as vantagens e desvantagens que tal processo comporta, perdendo muito dos seus costumes originais.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base nos dados ling\u00fc\u00edsticos e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, a tribo dos Pirah\u00e3 assim como os Tor\u00e1 s\u00e3o conhecidos como subgrupo Mura. Neste informativo enfocaremos aspectos culturais do grupo Pirah\u00e3 por terem maiores informa\u00e7\u00f5es sobre eles e por estes n\u00e3o cedido ao contato permanente com os brancos, mantendo-se afastados dos n\u00facleos regionais. Os Mura n\u00e3o tiveram o mesmo destino, dispersos em povoa\u00e7\u00f5es regionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues &amp; Oliveira (1 977:10) chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato da ergologia Mura Pirah\u00e3 apresentar poucos elementos culturais quando comparada, por exemplo, com a dos \u00edndios do Alto Rio Negro (AM), os do alto Xingu (MI) e os pr\u00f3prios Munduruku (AM e PA) com quem tanto os Mura brigaram no passado e dos quais os Pirah\u00e3 ainda tem lembran\u00e7as, o que pode ser causado por duas possibilidades: a) perda de tra\u00e7os culturais face ao contato experimentado com os regionais, v\u00edtimas que foram da domina\u00e7\u00e3o de elementos da sociedade nacional e, tamb\u00e9m, com outros grupos tribais, como \u00e9 o caso, por sinal, do uso do tabaco do paric\u00e1; o qual era lan\u00e7ado em p\u00f3 dentro da ca\u00e7oleta do cachimbo, sendo que o que se destina a tom\u00e1-lo, com as suas pr\u00f3prias m\u00e3os aplica a ca\u00e7oleta a uma das ventas, enquanto outro assopra o tabaco com for\u00e7a pelo local, vindo por este modo a ser t\u00e3o violento o efeito do tabaco assoprado que, a primeira assopradela, basta para os alienar dos sentidos e promover uma extraordin\u00e1ria descarga da pitu\u00edba (Ferreira, 1974:63), e que atualmente n\u00e3o mais \u00e9 encontrado, b) conseq\u00fc\u00eancia de um tipo espec\u00edfico de estrutura social e econ\u00f4mica pois os Mura-Pirah\u00e3, tal qual faziam os Mura h\u00e1 dois s\u00e9culos, continuam a passar grande parte de seu tempo viajando em canoas, deslocando-se da terra firme para as praias que surgem na \u00e9poca das secas, sendo antes pescadores, ca\u00e7adores e coletores do que agricultores, o que parece ter impedido o seu estabelecimento em aldeias mais ou menos fixas e, consequentemente, o surgimento de um material tecnol\u00f3gico mais elaborado (Rodrigues &amp; Oliveira, 1977:12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o social dos Mura \u00e9 baseada em fam\u00edlias extensas matrilocais. Antigamente o casamento geralmente era realizado com a prima cruzada e nesta ocasi\u00e3o, o homem simulava o roubo da mulher. Atualmente h\u00e1 um alto grau de miscigena\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra informa\u00e7\u00e3o \u00e9 que evitavam pronunciar o pr\u00f3prio nome e o de seus irm\u00e3os; n\u00e3o usavam termo de parentesco e utilizavam o nome pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, somente alguns elementos apresentam caracteres ind\u00edgenas marcantes, e de um modo geral possuem estatura mediana. Apesar do alto grau de miscigena\u00e7\u00e3o, resultante do contato cont\u00ednuo, n\u00e3o eliminaram-se totalmente as diferen\u00e7as de ordem cultural. Os Pirah\u00e3 mant\u00eam a l\u00edngua pr\u00f3pria e o \u201cmodus vivendi\u201d que os difere da popula\u00e7\u00e3o que os cerca. Observamos que entre os Mura os la\u00e7os matrimoniais sucedem-se entre \u00edndios de etnias diversas, incluindo n\u00e3o \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aldeia<br \/>\nN\u00e3o se tem uma id\u00e9ia exata dos antigos aldeamentos Mura. Bates e Craig chegam a fazer refer\u00eancias mais detalhadas das aldeias, quando dizem: O lugarejo, rio Amatari, na conflu\u00eancia do rio Amazonas com rio Madeira, consistia de cerca de vinte palho\u00e7as de paredes de taipa&#8230; (Bates, 1944: v.1, pg. 349) ou a cidade era constitu\u00edda por um grupo de c\u00earca de 20 cabanas&#8230; (Craig, 1947:125), por\u00e9m n\u00e3o mencionam se eram em c\u00edrculo ou em alinhamento.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Habita\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antigamente esse grupo, segundo alguns autores, viviam ora nos ramos das \u00e1rvores na mata (southey, 1965:246), ora em redes atadas nos galhos vergados sobre a margem do rio (wallace, 1939:21 6), ou, ent\u00e3o, em simples coberturas (Nimuendaju, 1948:267). N\u00e3o constru\u00edam habita\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas e fixas (Bates, 1944: v.1 pg. 352) e as coberturas prec\u00e1rias, de palha, eram armadas sobre quatro esteios (Rodrigues, 1875:10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao subgrupo Pirah\u00e3 localizado no baixo Maic\u00ed, suas habita\u00e7\u00f5es s\u00e3o de dois tipos: jiraus com e sem coberturas. Quando na praia do rio Marmelos, inicialmente as moradas s\u00e3o constru\u00eddas sem tetos, constituindo-se apenas de jiraus utilizados para passarem o dia e dormirem. Quando as chuvas se tornam mais freq\u00fcentes \u00e9 que os Pirah\u00e3 providenciam a cobertura. Esta \u00e9 constitu\u00edda de quatro, seis, oito ou nove esteios fincados no ch\u00e3o e cobertos com palha de baba\u00e7u, sororoca ou caran\u00e3 (Rodrigues &amp; Oliveira, 1977:16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atividades de Subsist\u00eancia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes a economia de subsist\u00eancia e agora j\u00e1 engajada num sistema de troca extra-tribal. As atividades b\u00e1sicas s\u00e3o a agricultura, pesca, coleta e extrativismo. Os Mura s\u00e3o considerados ex\u00edmios pescadores e ca\u00e7adores, sendo esta sua maior fonte de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo produto da agricultura \u00e9 para ser consumido internamente, exce\u00e7\u00e3o de algumas frutas e a mandioca destinada \u00e0 feitura de farinha, com excedente destinado a venda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesca est\u00e1 toda comprometida com o consumo interno, a n\u00e3o ser a do pirarucu, que \u00e9 salgado e destinado a venda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coleta de frutos silvestres, mel e castanhas \u00e9 quase que totalmente voltada para o pr\u00f3prio consumo, enriquecendo a dieta alimentar. Algumas seringueiras lhes rendem algum dinheiro, bem como a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo da copa\u00edba e corte de madeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesca constitui a atividade b\u00e1sica de subsist\u00eancia do grupo, ela \u00e9 praticada pelos Pirah\u00e3 com arco e flecha ou timb\u00f3 nas \u00e1guas mais paradas dos lagos. Os peixes s\u00e3o consumidos assados na brasa, moqueados em forquilhas ou moqu\u00e9ns ou ent\u00e3o simplesmente cozidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho na ro\u00e7a \u00e9 uma atividade desempenhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normalmente a t\u00e9cnica aplicada \u00e9 da coivara, plantam principalmente mandioca, macaxeira, banana, jerimum, mam\u00e3o, batata-doce, cana-de-a\u00e7\u00facar e car\u00e1. Utilizam pequenas por\u00e7\u00f5es de terra em formas arredondadas, obtendo assim produto suficiente apenas para o consumo de cada fam\u00edlia. Da mandioca preparam \u00e1 farinha e fazem uso do tipiti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Instrumental para Subsist\u00eancia<br \/>\n1) Armas<br \/>\nOs Mura foram considerados os mais aguerridos da Amaz\u00f4nia. Ficavam de tocaia nas \u00e1rvores e quando o inimigo passava caiam-lhe em cima com flechas, pois eram h\u00e1beis no manejo do arco e flecha.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os Pirah\u00e3, os arcos s\u00e3o simples, sem enfeites. Os arcos s\u00e3o feitos de ingarana ou pau d\u2019arco e, para sua confec\u00e7\u00e3o a madeira, ap\u00f3s o corte, \u00e9. aplainada com ter\u00e7ado preso a uma forquilha, sendo em seguida levada ao fogo. Esta \u00e9 uma atividade masculina. As mulheres cabe o fabrico da corda, feita a partir da envira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s flechas fazem-nas com ou sem empluma\u00e7\u00e3o, sendo esta \u00faltima modalidade a mais utilizada, pois, na maioria das vezes os Pirah\u00e3, pescam com arco e flecha, o que j\u00e1 n\u00e3o ocorre com a ca\u00e7a. Para este fim preferem os rifles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de zarabatanas \u00e9 mencionado por Craig (1947:126)&#8230; \u201cvia-se uma zarabatana com que sopram fIechas ervadas\u201d. Tais flechas foram tamb\u00e9m citadas por Carvajal e Acun\u00e3 (1941:259). Hoje n\u00e3o mais s\u00e3o utilizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda a respeito de armas h\u00e1 uma refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica feita por Souza (1873:145), sobre o murucu que \u00e9 uma arma de guerra, feita de pau vermelho. Muito utilizada \u00e0 \u00e9poca pelos Mura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Armadilhas<br \/>\nOs Pirah\u00e3 possuem dois tipos de armadilhas: a) o apito ou isca, constitu\u00eddo de um peda\u00e7o de flandres dobrado ao meio com um furo numa das extremidades para produzir som imitando a anta, cotia, macaco ou outro bicho que desejam ca\u00e7ar; b) a armadilha de tracaj\u00e1, feita de madeira leve, em forma de torno, onde prendem a linha e o anzil que s\u00e3o jogados na beira do rio e amarrados nos galhos das \u00e1rvores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Moquens<br \/>\nUtilizam dois tipos: vara de madeira aberta no sentido longitudinal at\u00e9 cerca da parte mediana onde \u00e9 preso o peixe e enterrada obliquamente no ch\u00e3o e jiraus de formas variadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) Cestaria<br \/>\nConfeccionam cestos de carregar. Quando v\u00e3o colher a mandioca ou ca\u00e7ar, preparam este cesto com palha de baba\u00e7u, de forma retangular, para transportar tanto a mandioca, car\u00e1 e batata doce como frutos silvestres. Neste mesmo cesto colocam a mandioca dentro d\u2019\u00e1gua para pubar.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro tipo, ali\u00e1s o menos comum, de forma circular, feito de cip\u00f3 amb\u00e9, com base triangular, \u00e9 semelhante ao paneiro usado por outros grupos na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica e utilizado para colocar objetos pessoais. Fazem tamb\u00e9m peneiras, tipit\u00eds (feitos de arum\u00e3) e abanos de forma triangular, com tran\u00e7ado simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5) Transportes<br \/>\nO meio de transporte desses \u00edndios era e \u00e9 essencialmente feito atrav\u00e9s de rio. Nos dias atuais, os Pirah\u00e3 do Alto Maic\u00ed, ainda constroem canoas de casca de \u00e1rvore marup\u00e1, da copa\u00edba e do jabot\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6) Adornos<br \/>\nConforme Aires e Cazal (1943:236), os homens n\u00e3o s\u00f3 ornam os bra\u00e7os e pernas, mas ainda furam o nariz, orelhas e bei\u00e7os, donde trazem pendentes, conchas, dentes de porco e de feras. Os Mura usavam tamb\u00e9m colares e cintos. Hoje em dia os ornamentos Pirah\u00e3 s\u00e3o constitu\u00eddos somente de colares, bra\u00e7adeiras e an\u00e9is.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigues &amp; Oliveira (1977-28) dizem que certos tipos de pendentes, al\u00e9m do car\u00e1ter de adorno tem outras fun\u00e7\u00f5es, como por exemplo a semente da seringa, que \u00e9 utilizada para acabar com o medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bra\u00e7adeiras podem ser de palha, fio de algod\u00e3o ou tira de pano. Os diademas de palha, de forma arredondada, semelhantes a outros que os antigos Mura usavam (Ferreira, 1974:61), ainda s\u00e3o feitos, pelos Pirah\u00e3 e tamb\u00e9m por alguns Mura de Autazes, por\u00e9m pouco utilizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os an\u00e9is s\u00e3o fabricados do caro\u00e7o de tucum\u00e3, tanto por homens quanto por mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cabelos s\u00e3o cortados com pente e tesoura, o que antigamente era feito com mand\u00edbula de piranha no mesmo processo do corte com navalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7) Brinquedos<br \/>\nAs brincadeiras infantis entre os Pirah\u00e3 s\u00e3o uma forma de prepar\u00e1-los para a vida adulta. \u00c9 assim que se v\u00eaem meninos aprendendo a fabrica\u00e7\u00e3o de arcos e flechas para as suas pescarias, com car\u00e1ter de brincadeira, enquanto que as meninas brincam com fusos e ajudam a cuidar das crian\u00e7as menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8) Instrumentos Musicais<br \/>\nRodrigues &amp; Oliveira (1977:11) encontrou entre os Pirah\u00e3 flautas de \u201cpan\u201d com dois ou seis tubos de taboca presos com fios de envira que, segundo eles, \u00e0s vezes tocam nos porac\u00eas (festas) realizados nos dias de luar. As crian\u00e7as usam pequenos arcos como instrumento musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Situa\u00e7\u00e3o Atual<br \/>\nSouza &amp; Zuardi, analisando a situa\u00e7\u00e3o atual do grupo Mura no munic\u00edpio de Autazes, dizem que, pelos enfrentamentos em defesa territorial os Mura conseguiram al\u00e9m do decr\u00e9scimo populacional, real\u00e7ar e atrair para o grupo uma antipatia e s\u00e9rios preconceitos que s\u00e3o demonstrados at\u00e9 os dias atuais. A vis\u00e3o do colonizador e os entraves para o processo civilizat\u00f3rio imposto por eles, s\u00e3o passados atrav\u00e9s de dados hist\u00f3ricos, permeados de malqueren\u00e7a. Preconceito este comum no confronto entre popula\u00e7\u00f5es etnicamente diferenciadas.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00edndios Mura, com exce\u00e7\u00e3o dos Pirah\u00e3, tem contato permanente com os \u201ccivilizados\u201d, representados na forma de regat\u00f5es, extrativistas e \u201cmotores\u201d que cruzam o rio diariamente e que habitualmente param nas praias, onde os \u00edndios levantam seus tapir\u00eds e l\u00e1 realizam um com\u00e9rcio, atrav\u00e9s de trocas de mercadorias e bens j\u00e1 introduzidos em sua cultura. \u00c9 comum a troca de ca\u00e7as, peixes, por aguardente, a\u00e7\u00facar e quinquilharias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os extrativistas param nas redondezas principalmente na \u00e9poca da coleta da castanha que vai de dezembro a abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem invas\u00f5es territoriais e pesca predat\u00f3rias nos lagos. Perda da autonomia cultural, da posse do territ\u00f3rio e engajamento em atividades produtivas regionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AtuaImente os Mura n\u00e3o andam nus. Os cabelos que antes eram aparados por mand\u00edbula de piranha, atualmente s\u00e3o cortados com pente e tesoura, os homens aparam os seus bem rente, j\u00e1 as mulheres os deixam longos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cultura material est\u00e1 restrita a colares de sementes, mi\u00e7angas, contas diversas e an\u00e9is de tucum\u00e3.<br \/>\nOs Pirah\u00e3 usam ainda a pr\u00e1tica da pajel\u00e2n\u00e7a e a pintura corporal \u00e9 aplicada principalmente nas partes enfermas do corpo, quando necess\u00e1rio, e para isso costumam usar o urucum.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As habita\u00e7\u00f5es de um modo geral s\u00e3o simples e r\u00fasticas, possuem uma ou duas \u00e1guas, armadas por oito esteios em forma de forquilhas onde s\u00e3o encaixadas as vigas horizontais. A cobertura \u00e9 feita com folhas de baba\u00e7u ou soro-roca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O despreparo dos \u00edndios para a vida urbana sem que lhe seja oferecidas condi\u00e7\u00f5es de boa adapta\u00e7\u00e3o, leva ao conflito nas disputas pelo acesso aos fr\u00e1geis equipamentos urbanos e \u00e9 inevit\u00e1vel o choque de dois modos distintos de comportamento social e representa\u00e7\u00e3o da vida: o ind\u00edgena e o n\u00e3o ind\u00edgena (Cariua).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontram-se num processo de nega\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, envergonhando-se da identidade tribal. Todavia, o grupo Mura tem se empenhado de modo a reverter esse processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota:<br \/>\n1 &#8211; Os textos em negrito s\u00e3o transcritos no portugu\u00eas utilizado \u00e0 \u00e9poca.<br \/>\nFonte: FUNAI\/CGDOC-MANAUS\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fontes: <a href=\"http:\/\/www.mj.gov.br\/main.asp?View={A63EBC0E-BFB4-402A-8497-F1BCAA07164E}&amp;Team=&amp;params=itemID={59BB116C-754A-4D09-9C7F-3A266E8AAD34};&amp;UIPartUID={2868BA3C-1C72-4347-BE11-A26F70F4CB26}\" target=\"_blank\">Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00ccndio, Povos Ind\u00edgenas<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Ouvir em SinaisDaGente M\u00fasica de Ninar do Povo Mura <\/strong><\/em><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=987\">AQUI<\/a><\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=992\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"992,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem \u00e9 o povo Mura? Vivem actualmente no estado do Amazonas, com uma popula\u00e7\u00e3o de 9.275 mil habitantes&#8230; Localiza\u00e7\u00e3o: Habitat tradicional nas bacias dos rios Madeira e Pur\u00fas. Hoje encontram-se localizados na Bacia do baixo rio Madeira, expressivamente no rio Autazes e baixo Pur\u00fas no lago Ayapu\u00e1. 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