{"id":853,"date":"2009-10-12T11:33:13","date_gmt":"2009-10-12T14:33:13","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=853"},"modified":"2009-10-12T11:33:13","modified_gmt":"2009-10-12T14:33:13","slug":"ilha-de-algodoal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=853","title":{"rendered":"Ilha de Algodoal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/dn.sapo.pt\/inicio\/globo\/interior.aspx?content_id=1380450&amp;seccao=CPLP\" target=\"_blank\"><\/a><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/aldodoal1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-854\" title=\"aldodoal1\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/aldodoal1.jpg\" alt=\"aldodoal1\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a>Publicado no DN, 4 de Out&#8217; <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong><span id=\"ctl00_ctl00_bcr_maincontent_ThisContent\">O algod\u00e3o que lhe deu o nome j\u00e1 se foi, h\u00e1 cada vez menos tartarugas a desovar nas suas praias e o lixo amea\u00e7a a ilha a norte de Bel\u00e9m.<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p><span id=\"ctl00_ctl00_bcr_maincontent_ThisContent\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os barcos que v\u00eam da ilha de Algodoal est\u00e3o carregados de fam\u00edlias. S\u00e3o prec\u00e1rios, com tinta a disfar\u00e7ar as fendas que a \u00e1gua sal- gada provocou. Voltam do fim-de- -semana, ultrapassam a lota\u00e7\u00e3o e deixaram lixo para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As embarca\u00e7\u00f5es que saem do porto de Marud\u00e1 para a ilha de Algodoal, no arquip\u00e9lago de Maiandeua &#8211; na l\u00edngua ind\u00edgena tupi significa &#8220;M\u00e3e da Terra&#8221; &#8211; a 150 km de Bel\u00e9m, no Brasil, est\u00e3o vazias. Quase todos voltam. Quase ningu\u00e9m arrisca ir. O tempo amea\u00e7a fechar. O barco tem dificuldade em atravessar o canal. S\u00f3 carrega dois passageiros. Chove. 50 minutos depois de ondula\u00e7\u00e3o violenta j\u00e1 se v\u00eaem, no horizonte, dunas que parecem montanhas. Antes, dizem os mais velhos, viam-se tamb\u00e9m fibras brancas no ar do algod\u00e3o-seda que deu o nome \u00e0 ilha, em plena Amaz\u00f3nia Atl\u00e2ntica. Hoje, a planta &#8220;j\u00e1 n\u00e3o existe&#8221;, diz, com voz angustiada, Alessandro Ferreira, conhecido como Bergo, pintor e dono de pousada em Algodoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O porto da ilha, o Mamede, \u00e9 a praia. \u00c0 espera de ganhar dinheiro com a gente que chega de barco est\u00e3o carro\u00e7as puxadas a burros, o principal meio de transporte por aqui. At\u00e9 \u00e0 vila de Algodoal a caminhada faz-se sob sol quente, areia mole e que torna o p\u00e9riplo num cansa\u00e7o cont\u00ednuo de 15 minutos. Estender a coragem significa ir at\u00e9 \u00e0 praia da Princesa, a mais famosa e palco de lendas, banhada pelo Atl\u00e2ntico. Ser\u00e1 mais uma meia hora de caminhada: passar pelo mangue de areias movedi\u00e7as com \u00e1gua at\u00e9 \u00e0 cintura e ver as armadilhas que os pescadores preparam para apanhar peixe quando a mar\u00e9 baixar. Tudo o resto \u00e9 uma imensa solid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Cristo, ex-pescador, e hoje dono de um bar na Ilha, com a filha Helena, diz que a Princesa, &#8220;a dona da praia&#8221;, gosta assim. Diz que j\u00e1 a viu, que &#8220;\u00e9 loira e glamorosa&#8221;, um &#8220;esp\u00edrito que poucos t\u00eam o privil\u00e9gio de ver&#8221;, e que a seguiu, &#8220;h\u00e1 muitos anos, at\u00e9 \u00e0 Lagoa&#8221; com o nome dela. &#8220;Ela n\u00e3o gostou e, nessa altura, a minha vida ficou problem\u00e1tica&#8221;, conta. Hoje, &#8220;a vida j\u00e1 se endireitou&#8221;. Cristo foi um dos primeiros moradores da Ilha e \u00e9 um dos maiores activistas na preserva\u00e7\u00e3o. Aponta, ao longe, para uns paus de madeira, envoltos numa fita institucional de isolamento, como nos filmes policiais. &#8220;V\u00ea aquilo ali? Tem ovos de tartarugas que outros pescadores queriam levar para comer. Eu n\u00e3o deixei. Temos de preservar a Ilha: \u00e9 a nossa maior luta.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que &#8220;a ilha de Algodoal cresceu desordenadamente&#8221;, explica Bergo, activista na implementa\u00e7\u00e3o de um Plano de Manejo Sustent\u00e1vel para a \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Ambiental da Ilha. Proliferam pousadas sem licen\u00e7a, turismo em massa e h\u00e1 &#8220;o grave problema de como tratar o lixo&#8221;. Ali\u00e1s, um cl\u00e1ssico em muitas ilhas ao redor de Bel\u00e9m. Uma das solu\u00e7\u00f5es, acredita Bergo, ser\u00e1 a &#8220;consolida\u00e7\u00e3o&#8221; do plano que alguns moradores est\u00e3o a tentar articular com a Secretaria de Meio Ambiente. &#8220;Mas \u00e9 uma luta grande, porque n\u00e3o h\u00e1 consenso para preservar Algodoal.&#8221;<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=853\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"853,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado no DN, 4 de Out&#8217; O algod\u00e3o que lhe deu o nome j\u00e1 se foi, h\u00e1 cada vez menos tartarugas a desovar nas suas praias e o lixo amea\u00e7a a ilha a norte de Bel\u00e9m. 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