{"id":789,"date":"2009-09-21T11:47:27","date_gmt":"2009-09-21T14:47:27","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=789"},"modified":"2009-09-21T11:55:59","modified_gmt":"2009-09-21T14:55:59","slug":"ilha-da-romana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=789","title":{"rendered":"Ilha da Romana"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/ilhadaromana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-815\" title=\"ilhadaromana\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/ilhadaromana.jpg\" alt=\"ilhadaromana\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dn.sapo.pt\/inicio\/globo\/interior.aspx?content_id=1366838&amp;seccao=CPLP\" target=\"_blank\">Publicado 20 de Set&#8217; 2009<\/a><\/p>\n<p><span id=\"ctl00_ctl00_bcr_maincontent_ThisContent\"> <\/span><\/p>\n<p id=\"NewsSummary\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>A norte de Bel\u00e9m, onde o Amazonas entra\u00a0 no Atl\u00e2ntico, a aposta\u00a0 \u00e9 no ecoturismo para preservar a natureza.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cen\u00e1rio \u00e9 apocal\u00edptico. Um vazio interrompido por troncos de \u00e1rvores, secas, enterradas na areia que parece farinha peneirada. Abutres, muitos, esvoa\u00e7am em bando. N\u00e3o resta peixe na orla. Apenas espinhas emaranhadas em palha e restos que o mar de \u00e1gua cor de terra deixou no vasto areal plano. H\u00e1 ondas calmas, que s\u00e3o j\u00e1 Amaz\u00f3nia Atl\u00e2ntica, aqui na Ilha da Romana, na Reserva Extrativista M\u00e3e Grande de Curu\u00e7\u00e1. Fica a norte de Bel\u00e9m, no Brasil. L\u00e1, onde principia o Atl\u00e2ntico e o rio Amazonas deixa de o ser para ser mar. Ou onde come\u00e7a, em fluxo inverso, antes de subir ao ventre, no Peru.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esta praia selvagem \u00e9 ainda um para\u00edso&#8221;, diz Charles Mendes, guia do Instituto Tapiaim, projecto de ecoturismo de base comunit\u00e1ria que, em parceria com a Esta\u00e7\u00e3o Gabiraba, empresa com mesmo prop\u00f3sito, e a ONG Peabiru ajudam a preservar o local levando alguns turistas \u00e0 comunidade. H\u00e1 poucas casas. S\u00e3o cabanas de pescadores. Ao longe s\u00f3 se v\u00ea um deserto de areia. No horizonte, uma imensid\u00e3o de \u00e1gua. O sol intenso absorve o azul do c\u00e9u, desafiando o fot\u00f3metro. 35 graus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sede n\u00e3o aguenta cinco minutos. A pele queima. Os mission\u00e1rios cat\u00f3licos, jesu\u00edtas que por aqui deixaram pegadas no s\u00e9culo XVII h\u00e1 muito levadas pelo vento que de nada serve para amenizar o calor infernal, certamente fizeram penit\u00eancia com as pesadas vestes sob tal temperatura. A localidade de Abade onde se instalaram, a uma hora de barco da Ilha da Romana, ainda ostenta a igreja que lhes serviu de casa para evangelizar &#8220;o povo da Amaz\u00f3nia&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A norte-americana que acompanha Charles com um grupo de estudantes dos EUA n\u00e3o sabia quem eles eram, at\u00e9 ali. Ali\u00e1s, ela pouco ouve o que o guia diz. Est\u00e1 entretida a apanhar as bolachas-do-mar, parentes dos ouri\u00e7os, que se enterram na areia. Quando mortas desfazem-se na m\u00e3o. As que ela apanhou est\u00e3o vivas. Charles fica um pouco irritado quando descobre o copo de pl\u00e1stico cheio delas. Ela pensa que ele est\u00e1 a brincar. &#8220;Tens de as colocar de novo na areia. Isto \u00e9 uma Reserva Ecol\u00f3gica, n\u00e3o podes levar nada daqui a n\u00e3o ser a mem\u00f3ria&#8221;, diz-lhe. A mi\u00fada de cabelos pretos e pele vermelha, rec\u00e9m-queimada pelo sol, ruboriza ainda mais e concorda. Devolve-as, at\u00e9 porque, se n\u00e3o as perdesse quando se desfizessem, perd\u00ea-las-ia no mangue da ilha (ecossistema h\u00famido tropical, caracter\u00edstico do encontro do rio com o mar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed, a luta entre enterrar as pernas num lama\u00e7al pegajoso e retirar os p\u00e9s sem perder os sapatos \u00e9 um equilibrismo s\u00f3 para especialistas. A luta para sair do lugar cansa o corpo em segundos: o mesmo tempo que demora a equa\u00e7\u00e3o da adrenalina igual a p\u00e2nico, quando se atravessa os len\u00e7\u00f3is de areia da praia da Romana. As extensas po\u00e7as que o mar deixa sugam os p\u00e9s em areias movedi\u00e7as. &#8220;Quando isso acontece, o que temos a fazer \u00e9 deitar-nos de costas, porque elas n\u00e3o se afundam e, com calma, desenterrar os p\u00e9s&#8221;, ensina Charles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 mem\u00f3ria, a da Romana, n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer, j\u00e1 se entranhou c\u00e1 dentro, como areia pegajosa, apocal\u00edptica.<\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=789\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"789,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado 20 de Set&#8217; 2009 A norte de Bel\u00e9m, onde o Amazonas entra\u00a0 no Atl\u00e2ntico, a aposta\u00a0 \u00e9 no ecoturismo para preservar a natureza. 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