{"id":614,"date":"2009-08-30T15:20:42","date_gmt":"2009-08-30T18:20:42","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=614"},"modified":"2009-08-30T15:20:42","modified_gmt":"2009-08-30T18:20:42","slug":"d-ambrosia-filha-de-santa-rosa-a-ilha-de-bacabas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=614","title":{"rendered":"D. Ambr\u00f3sia, filha de Santa Rosa, a ilha de Bacabas"},"content":{"rendered":"<p><span id=\"ctl00_ctl00_bcr_maincontent_ThisContent\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/donambrosia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-615\" title=\"donambrosia\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/donambrosia.jpg\" alt=\"donambrosia\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/dn.sapo.pt\/inicio\/globo\/interior.aspx?content_id=1348187&amp;seccao=CPLP\" target=\"_blank\">Publicado no Di\u00e1rio de Not\u00edcias, 30 de Agosto 2009<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O som do motor do barco parece que vai estourar a qualquer momento. Ronco cont\u00ednuo, ensurdecedor. \u00c9 melodia de progresso em \u00e1guas amaz\u00f3nicas. Transporte &#8220;aben\u00e7oado&#8221;. Se o desligarem, s\u00f3 se ouve o ondular das pequenas ondas no rio Maguari, em Ananindeua, no norte do Brasil. \u00c9 a terceira cidade mais populosa da Amaz\u00f3nia. &#8220;E uma das mais pobres&#8221;, diz Filipe Bastos, secret\u00e1rio do Meio Ambiente da regi\u00e3o. Ao redor, as pequenas ilhas parecem pequenos puzzles verdes. V\u00eaem-se redomas de igarap\u00e9s, esses bra\u00e7os estreitos de rios da bacia amaz\u00f3nica, labir\u00ednticos. As ra\u00edzes grossas e espessas est\u00e3o secas das margens. &#8220;A mar\u00e9 est\u00e1 baixa. \u00c9 a melhor hora para navegar&#8221;, comenta Gilberto Sousa, o Gil da comunidade de Igarap\u00e9 Grande, em Ananindeua. E h\u00e1 \u00e1guas de mar Atl\u00e2ntico que tamb\u00e9m se desviam para aqui, trazendo o camar\u00e3o. H\u00e1 caminhos de ribeiros, mon\u00f3tonos, pintados pela natureza em irmandade g\u00e9mea. Gil, diz que n\u00e3o, ri-se, assegura que nenhum se repete. &#8220;Conhe\u00e7o-os desde pequeno, e sei dizer onde eles nos levam.&#8221; Aponta para um: &#8220;Aquele vai para onde eu moro, mas este barco \u00e9 muito grande para passar.&#8221; \u00c9 ele que vai ao leme. Pele morena, m\u00e3os enrugadas. Sabe que no pr\u00f3ximo emaranhado de ra\u00edzes tem de contornar \u00e0 esquerda para chegar \u00e0 ilha de Sta. Rosa, onde fica a comunidade do Cajueiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi nestes ribeiros que se esconderam os Cabanos [no s\u00e9culo XIX] e ainda hoje encontramos t\u00faneis com moedas antigas e lou\u00e7as daquele tempo&#8221;, conta. Refere-se \u00e0 revolta de negros, \u00edndios e mesti\u00e7os contra a elite pol\u00edtica no Par\u00e1, por causa da pobreza que carcomia as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, depois da independ\u00eancia do Brasil, em 1822. &#8220;O meu bisav\u00f4 era portugu\u00eas, apaixonou-se por uma cearense, casou-se, teve onze filhos e depois nunca mais souberam dele.&#8221; Uma hora depois, saberemos que &#8220;Bacaba \u00e9 um fruto maior que o A\u00e7a\u00ed&#8221;. Quem ensina \u00e9 Dona Ambr\u00f3sia, 99 anos, descal\u00e7a. Olhos azul celeste, m\u00e3os finas, cavadas pelo tempo e que, recorrentemente, encostam \u00e0 boca depois da gargalhada. &#8220;Esta casa tem mais de cem anos, j\u00e1 c\u00e1 estava quando eu nasci. Mexi muita farinha. Mas j\u00e1 n\u00e3o tenho mais for\u00e7a nos bra\u00e7os&#8221;, recorda a quase-centen\u00e1ria, enquanto ajeita a lenha por baixo do forno. Hoje, s\u00f3 ela e a filha ainda preservam, na comunidade, a tradi\u00e7\u00e3o de preparar a farinha de mandioca. Distribuem pelas dez fam\u00edlias da ilha. \u00c9 a mesma que vamos comer daqui a pouco, na casa dela, para misturar com o a\u00e7a\u00ed, o fruto cor-de-vinho colhido de manh\u00e3 cedo, amassado pelas m\u00e3os centen\u00e1rias &#8211; e que faz inchar o est\u00f4mago &#8211; acompanhado de camar\u00f5es que o filho apanhou h\u00e1 instantes. &#8220;Quando era mais nova subia \u00e0 palmeira para colher o a\u00e7a\u00ed&#8221;, conta. Depois levava esse fruto do tamanho de uvas americanas no barco, para vender na Ilha do Mosqueiro. &#8220;Demorava quatro horas a chegar, remando. Hoje j\u00e1 h\u00e1 barcos a motor. Naquele tempo era mais dif\u00edcil&#8221;. E naquele tempo havia lendas. &#8220;A do homem galanteador de chap\u00e9u que encantava as mo\u00e7as e ia embora antes de a festa acabar. Dizem que era um boto&#8221;, conta referindo-se ao parente do golfinho da Amaz\u00f3nia. E apressa-se a contar a lenda da cobra que ficou na barriga da m\u00e3e do sogro depois que ele nasceu. &#8220;Chamaram o paj\u00e9, o chefe dos \u00edndios, quando a regi\u00e3o ainda tinha \u00edndios, e ele fez umas rezas, uns c\u00e2nticos. S\u00f3 sei que ela ficou melhor.&#8221;<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=614\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"614,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado no Di\u00e1rio de Not\u00edcias, 30 de Agosto 2009 O som do motor do barco parece que vai estourar a qualquer momento. Ronco cont\u00ednuo, ensurdecedor. \u00c9 melodia de progresso em \u00e1guas amaz\u00f3nicas. Transporte &#8220;aben\u00e7oado&#8221;. Se o desligarem, s\u00f3 se ouve o ondular das pequenas ondas no rio Maguari, em Ananindeua, no norte do Brasil. \u00c9 [&hellip;]<\/p>\n<script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/614"}],"collection":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=614"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":616,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/614\/revisions\/616"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}