{"id":394,"date":"2009-08-18T19:52:48","date_gmt":"2009-08-18T22:52:48","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=394"},"modified":"2009-08-24T21:16:04","modified_gmt":"2009-08-25T00:16:04","slug":"sinais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=394","title":{"rendered":"sinais&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/iconsinais.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-440\" title=\"iconsinais\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/iconsinais.jpg\" alt=\"iconsinais\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a>O mundo come\u00e7a aqui. Sem coordenadas reais. Com b\u00fassolas que sentem. Azimutes desalinhados, que se seguem pelo som do vento, o gosto das \u00e1guas, e o abra\u00e7o das gentes. O mundo come\u00e7a aqui num gr\u00e3o de areia. Numa viagem de mil viagens. Num alfabeto reinventado: com ar nas veias para levitar. Com rasgos nos olhos para ver mais perto. Almas, cheiros, paladares que se entranham nos poros e reentr\u00e2ncias carnais como lente raio x. N\u00e3o existe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 aqui onde come\u00e7a o mundo. Como oxig\u00e9nio. Fotoss\u00edntese. Como raiz entranhada que esventra a terra. Desejo carnal que se enrola com a vida, sem medo de se trair. Trair \u00e9 enterrar os p\u00e9s e esperar que o mundo venha. Antes ser p\u00f3, que sonho por fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo n\u00e3o existe. Ele \u00e9. Obra de arte como as viagens que se pintam em n\u00f3s\u2026 Quantas pinceladas tem uma viagem na alma? As interiores sem latitudes. Quantas m\u00e3os amassam a terra para ser? Quantos lugares que se impregnam em n\u00f3s, antes de saber que existem? Sabem a a\u00e7\u00facar em ponto de rebu\u00e7ado. Adrenalina. Cabelos brancos que escondem hist\u00f3rias. Bilhetes deixados. Mesas velhas onde se ro\u00e7am os copos. Acasos desencontrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo \u00e9 casa sem-tecto por onde se v\u00ea o p\u00f4r-do-sol. Por onde se reinventam as manh\u00e3s. Vidas que n\u00e3o passamos por um instante que o segundo mudou. Viv\u00eancias. Rugas. Papel seda que se enrola \u00e0 m\u00e3o, macio. E se desfaz em combust\u00e3o lenta. Fogo? Terra? Ar? \u00c1gua em queda livre que se escorre e descobre em texturas com gotas microsc\u00f3picas. Sabias que as gotas a pele n\u00e3o absorve? Sentem intensamente para roubar o que n\u00e3o interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo come\u00e7a com l\u00e1grimas em busca de oxig\u00e9nio. Sustem a respira\u00e7\u00e3o \u2013 o l\u00edquido ainda escorre. E o mundo \u00e9 s\u00e9men que pare um filho: dois, mil, nove\u2026 \u00c9 rasgos aflitos e embalos de neuroses. Sem tempo. Quanto tempo existe mais? Quantos fios por onde se escorre existem? Miragens. E o meu \u00e9 \u201clente-ampliada-olho-de-peixe\u201d que v\u00ea salgado com um trav\u00e3o adocicado. E entra nos poros da pele para ser mundo a acontecer\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pega na fruta e rasga-lhe a pele . Lambe os dedos como se resgatasses um vida. Das sete que te d\u00e3o, para multiplicares. Porque o mundo \u00e9 ber\u00e7o onde come\u00e7am as pegadas. E o olhar \u00e9 gesto abnegado\u2026Como o fogo quando arde at\u00e9 ao fim. Gasta-te. Bebe seiva das palavras que te d\u00e3o. Redescobres em cada homem um alfabeto. Dicion\u00e1rio sentido para decifrar, sem reedi\u00e7\u00f5es e risco de perda de mem\u00f3ria. Amn\u00e9sia colectiva para recordar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rota \u00e9 homem em cada quil\u00f3metro. Rendidos ao embalo do rio. Espero por mim em cada porto de homens. Em cada m\u00e3o com agruras que cosem o sustento em linhas bem dobadas para ser, antes de remendar. Se cada homem for trapo, ent\u00e3o o mundo \u00e9 manta que n\u00e3o cobre ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo come\u00e7a assim, sempre aqui, no ponto onde estamos. Onde os acasos acontecem porque seguimos viagem, provamos o suor e o cheiro \u00e1cido dos outros que nos adocica a vida. De cada gota que sai do corpo que se transforma em gr\u00e3o-de-a\u00e7\u00facar. O mundo come\u00e7a assim. Quando se arrega\u00e7a as mangas, como pris\u00f5es de (a)bra\u00e7os que querem s\u00ea-lo, porque escondem hist\u00f3rias que s\u00f3 aos quatro elementos sussurram. E esses nunca lhas podem roubar. Apenas ouvir como velhos confidentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o mundo \u00e9 livro que nunca folheamos at\u00e9 os sentidos decifrarem os sinais e aprenderem a olhar as p\u00e1ginas em branco onde se escrevem as mem\u00f3rias .<\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=394\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"394,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo come\u00e7a aqui. Sem coordenadas reais. Com b\u00fassolas que sentem. 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