{"id":1285,"date":"2010-04-03T21:19:20","date_gmt":"2010-04-04T00:19:20","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=1285"},"modified":"2010-04-04T20:44:59","modified_gmt":"2010-04-04T23:44:59","slug":"macunaima","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=1285","title":{"rendered":"Macuna\u00edma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/macunaimahome1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1314\" title=\"macunaimahome1\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/macunaimahome1.jpg\" alt=\"macunaimahome1\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a><em><strong>Aique!!!!<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>&#8220;Ai, que pregui\u00e7a!&#8221;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Primeiro nasceu bicho-mudo, depois virou bicho-parasita-folgado; cresceu sendo pregui\u00e7a-em-galho-de-carapana\u00faba, at\u00e9 se tornar cobra-malandra-espiando-gente, e depois jacar\u00e9-oportunista; veio a idade adulta e eis sen\u00e3o quando ele, Macuna\u00edma, o her\u00f3i (n\u00e3o-her\u00f3i-anti-her\u00f3i) criado pelo escritor brasileiro <a href=\"http:\/\/www.ediouro.com.br\/mariodeandrade\/\" target=\"_blank\">M\u00e1rio de Andrade <\/a>(1893-1945), em 1928, e parido bicho-feio no meio da selva amaz\u00f3nica, foi digno da gl\u00f3ria escrota: tornou-se ermita-gente e safado-homem, sem car\u00e1cter. Ahahah! Eis o her\u00f3i do povo brasileiro; a pedra fundamental da cultura enraizada:\u00a0 a da malandragem; a da covardia; a da impunidade. \u00c9 isso! Nada, nada: n\u00e3o \u00e9 nada disso. N\u00e3o o leve a s\u00e9rio: Macuna\u00edma \u00e9 um brinquedo! \u00c9 nacionalismo cr\u00edtico! Um pouco de Tropicalismo rec\u00e9m-nascido, antes de s\u00ealo &#8211; e que Joaquim Pedro de Andrade adaptaria para cinema em 1969, sob o pano da est\u00e9tica tropicalista. N\u00e3o esquecer: &#8220;Macuna\u00edma&#8221; \u00e9 uma obra surrealista; \u00e9 uma cr\u00edtica ao Romantismo, resgatando temas da mitologia ind\u00edgena, do folclore amaz\u00f3nico. \u00c9 uma raps\u00f3dia! Lido de perto, parece que lhe ouvimos os bichos do meio do mato&#8230; <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><br \/>\n<\/em>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No fundo, foi isso que a Iara Renn\u00f3 fez. Em <\/em>2008, a cantora brasileira (filha do pesquisador musical, m\u00fasico e letrista <a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/carlosrenno\" target=\"_blank\">Carlos Renn\u00f3 <\/a>e da cantora <a href=\"http:\/\/www.mpbnet.com.br\/alziraespindola\/\" target=\"_blank\">Alzira Esp\u00edndola<\/a>) inspirou-se em Andrade para lan\u00e7ar &#8220;Macuna\u00edma, \u00d3pera Tupi&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/Iara-Renn\u00f3-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1312\" title=\"Iara Renn\u00f3 1\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/Iara-Renn\u00f3-1.jpg\" alt=\"Iara Renn\u00f3 1\" width=\"141\" height=\"147\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><object type=\"application\/x-shockwave-flash\" data=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/plugins\/audio-player\/player.swf\" width=\"290\" height=\"24\" id=\"audioplayer1\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/plugins\/audio-player\/player.swf\" \/><param name=\"FlashVars\" value=\"playerID=1&amp;bg=0xf8f8f8&amp;leftbg=0xeeeeee&amp;lefticon=0x666666&amp;rightbg=0xcccccc&amp;rightbghover=0x999999&amp;righticon=0x666666&amp;righticonhover=0xffffff&amp;text=0x666666&amp;slider=0x666666&amp;track=0xFFFFFF&amp;border=0x666666&amp;loader=0xb71c1a&amp;soundFile=http%3A%2F%2Fsinaisdagente.com%2Fblog%2Fwp-content%2Fuploads%2Fmacunaima.mp3\" \/><param name=\"quality\" value=\"high\" \/><param name=\"menu\" value=\"false\" \/><param name=\"wmode\" value=\"transparent\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E fica aqui:<\/p>\n<h2><em>Excerto do livro &#8220;Macuna\u00edma&#8221; <\/em><\/h2>\n<p><em><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/macunaimalivro.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1315\" title=\"macunaimalivro\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/macunaimalivro-300x300.jpg\" alt=\"macunaimalivro\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/macunaimalivro-300x300.jpg 300w, http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/macunaimalivro.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>i macuna\u00edma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;no fundo do mato-virgem nasceu macuna\u00edma, her\u00f3i de nossa gente. era preto retinto e filho do medo da noite. houve um momento em que o sil\u00eancio foi t\u00e3o grande escutando o murmurejo do uraricoera, que a \u00edndia, tapanhumas pariu uma crian\u00e7a feia. essa crian\u00e7a \u00e9 que chamaram de macuna\u00edma. j\u00e1 na meninice fez coisas de sarapantar. de primeiro: passou mais de seis anos n\u00e3o falando. sio incitavam a falar exclamava: if \u2014 ai! que pregui\u00e7a!. . . e n\u00e3o dizia mais nada.&#8221;] ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxi\u00faba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, maanape j\u00e1 velhinho e jigu\u00ea na for\u00e7a de homem. o divertimento dele era decepar cabe\u00e7a de sa\u00fava. vivia deitado mas si punha os olhos em dinheiro, macuna\u00edma dandava pra ganhar vint\u00e9m. e tamb\u00e9m espertava quando a fam\u00edlia ia tomar banho no rio, todos juntos e nus. passava o tempo do banho dando mergulho, e as mulheres soltavam gritos gozados por causa dos guaimuns diz-que habitando a \u00e1gua-doce por l\u00e1. no mucambo si alguma cunhat\u00e3 se aproximava dele pra fazer festinha, macuna\u00edma punha a m\u00e3o nas gra\u00e7as dela, cunhat\u00e3 se afastava. nos machos guspia na cara. por\u00e9m respeitava os velhos, e freq\u00fcentava com aplica\u00e7\u00e3o a murua a porac\u00ea o tor\u00ea o bacoroc\u00f4 a cucuicogue, todas essas dan\u00e7as religiosas da tribo.quando era pra dormir trepava no macuru pequeninho sempre se esquecendo de mijar. como a rede da m\u00e3e estava por debaixo do ber\u00e7o, o her\u00f3i mijava quente na velha, espantando os mosquitos bem. ent\u00e3o adormecia sonhando palavras-feias, imoralidades estramb\u00f3licas e dava patadas no ar.nas conversas das mulheres no pino do dia o assunto eram sempre as peraltagens do her\u00f3i. as mulheres se riam muito simpatizadas, falando que &#8220;espinho que pinica, de pequeno j\u00e1 traz ponta&#8221;, e numa pagelan\u00e7a rei nag\u00f4 fez um discurso e avisou que o her\u00f3i era inteligente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">nem bem teve seis anos deram \u00e1gua num chocalho pra ele e macuna\u00edma principiou falando como todos. e pediu pra m\u00e3e que largasse da mandioca ralando na cevadeira e levasse ele passear no mato. a m\u00e3e n\u00e3o quis porque n\u00e3o podia largar da mandioca n\u00e3o. macuna\u00edma choramingou dia inteiro. de noite continuou chorando. no outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que a m\u00e3e principiasse o trabalho. ent\u00e3o pediu pra ela que largasse de tecer o paneiro de guarum\u00e1-membeca e levasse ele no mato passear. a m\u00e3e n\u00e3o quis porque n\u00e3o podia largar o paneiro n\u00e3o. e pediu pra nora, companheira de jigu\u00ea que levasse o menino. a companheira de jigu\u00ea era bem mo\u00e7a e chamava sofar\u00e1. foi se aproximando ressabiada por\u00e9m desta vez macuna\u00edma ficou muito quieto sem botar a m\u00e3o na gra\u00e7a de ningu\u00e9m. a mo\u00e7a carregou o pi\u00e1 nas costas e foi at\u00e9 o p\u00e9 de aninga na beira do rio. a \u00e1gua parar\u00e1 pra inventar um ponteio de gozo nas folhas do javari. o longe estava bonito com muitos bigu\u00e1s e biguatingas avoando na estrada do furo. a mo\u00e7a botou macuna\u00edma na praia por\u00e9m ele principiou choramingando, que tinha muita formiga!&#8230; e pediu pra sofar\u00e1 que o levasse at\u00e9 o derrame do morro l\u00e1 dentro do mato, a mo\u00e7a fez. mas assim que deitou o curumim nas tiriricas, taj\u00e1s e trapoerabas da serrapilheira, ele botou corpo num \u00e1timo e ficou um pr\u00edncipe lindo. andaram por l\u00e1 muito.quando voltaram pra maloca a mo\u00e7a parecia muito fatigada de tanto carregar pi\u00e1 nas costas. era que o her\u00f3i tinha brincado muito com ela. nem bem ela deitou macuna\u00edma na rede, jigu\u00ea j\u00e1 chegava de pes-car de pu\u00e7\u00e1 e a companheira n\u00e3o trabalhara nada. jigu\u00ea enquizlou e depois de catar os carrapatos deu nela muito. sofar\u00e1 ag\u00fcentou a sova sem falar um isto.jigu\u00ea n\u00e3o desconfiou de nada e come\u00e7ou tran\u00e7ando corda com fibra de curau\u00e1. n\u00e3o v\u00ea que encontrara rasto fresco de anta e queria pegar o bicho na armadilha. macuna\u00edma pediu um peda\u00e7o de curau\u00e1 pro mano por\u00e9m jigu\u00ea falou que aquilo n\u00e3o era brinquedo de crian\u00e7a. macuna\u00edma principiou chorando outra vez e a noite ficou bem dif\u00edcil de passar pra todos.no outro dia jigu\u00ea levantou cedo pra fazer arma-ilha e enxergando o menino tristinho falou:\u2014 bom-dia, cora\u00e7\u00e3ozinho dos outros.por\u00e9m macuna\u00edma fechou-se em copas carrancudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>\u2014 n\u00e3o quer falar comigo, \u00e9?<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>\u2014 estou de mal.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>\u2014 por causa?<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">ent\u00e3o macuna\u00edma pediu fibra de curau\u00e1. jigu\u00ea olhou pra ele com \u00f3dio e mandou a companheira arranjar fio pro menino, a mo\u00e7a fez. macuna\u00edma agradeceu e foi pedir pro pai-de-terreiro que tran\u00e7asse uma corda para ele e assoprasse bem nela fuma\u00e7a de petum. quando tudo estava pronto macuna\u00edma pediu pra m\u00e3e que deixasse o cachiri fermentando e levasse ele no mato passear. a velha n\u00e3o podia por causa do trabalho mas a companheira de jigu\u00ea mui sonsa falou pra sogra que &#8220;estava \u00e0s ordens&#8221;. e foi no mato com o pi\u00e1 nas costas. quando o botou nos carurus e sororocas da serrapilheira, o pequeno foi crescendo foi crescendo e virou pr\u00edncipe lindo. falou pra sofar\u00e1 esperar um bocadinho que j\u00e1 voltava pra brincarem e foi no bebedouro da anta armar um la\u00e7o. nem bem voltaram do passeio, tardinha, jigu\u00ea j\u00e1 chegava tamb\u00e9m de prender a armadilha no rasto da anta. a companheira n\u00e3o trabalhara nada. jigu\u00ea ficou fulo e antes de catar os carrapatos bateu nela muito. mas sofar\u00e1 ag\u00fcentou a coca com paci\u00eancia.no outro dia a arraiada inda estava acabando de trepar nas \u00e1rvores, macuna\u00edma acordou todos, fazendo um bu\u00e9 medonho, que fossem! que fossem no bebedouro buscar a bicha que ele ca\u00e7ara!&#8230; por\u00e9m ningu\u00e9m n\u00e3o acreditou e todos principiaram o trabalho do dia.macuna\u00edma ficou muito contrariado e pediu pra sofar\u00e1 que desse uma chegadinha no bebedouro s\u00f3 pra ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">a mo\u00e7a fez e voltou falando pra todos que de fato estava no la\u00e7o uma anta muito grande j\u00e1 morta. toda a tribo foi buscar a bicha, matutando na intelig\u00eancia do curumim. quando jigu\u00ea chegou com a corda de curau\u00e1 vazia, encontrou todos tratando da ca\u00e7a, ajudou. e quando foi pra repartir n\u00e3o deu nem um peda\u00e7o de carne pra macuna\u00edma, s\u00f3 tripas. o her\u00f3i jurou vingan\u00e7a.no outro dia pediu pra sofar\u00e1 que levasse ele passear e ficaram no mato at\u00e9 a b\u00f4ca-da-noite. nem bem o menino tocou no folhi\u00e7o e virou num pr\u00edncipe fogoso. brincaram. depois de brincarem tr\u00eas feitas, correram mato fora fazendo festinhas um pro outro. depois das festinhas de cotucar, fizeram a das c\u00f3cegas, depois se enterraram na areia, depois se queimaram com fogo de palha, isso foram muitas festinhas. macuna\u00edma pegou num tronco de copa\u00edba e se escondeu por detr\u00e1s, da piranheira. quando sofar\u00e1 veio correndo, ele deu com o pau na cabe\u00e7a dela. fez uma brecha que a mo\u00e7a caiu torcendo de riso aos p\u00e9s dele. puxou-o por uma perna. macuna\u00edma gemia de gosto se agarrando no tronco gigante. ent\u00e3o a mo\u00e7a abocanhou o ded\u00e3o do p\u00e9 dele e engoliu. macuna\u00edma chorando de alegria tatuou o corpo dela com o sangue do p\u00e9. depois retesou os m\u00fasculos, se erguendo num trap\u00e9zio de cip\u00f3 e aos pulos atingiu num \u00e1timo o galho mais alto da piranheira. sofar\u00e1 trepava atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">o ramo fininho vergou oscilando com o peso do pr\u00edncipe. quando a mo\u00e7a chegou tamb\u00e9m no tope eles brincaram outra vez balanceando no c\u00e9u. depois de brincarem macuna\u00edma quis fazer uma festa em sofar\u00e1. dobrou o corpo todo na viol\u00eancia dum pux\u00e3o mas n\u00e3o p\u00f4de continuar, galho quebrou e ambos despencaram aos embol\u00e9us at\u00e9 se esborracharem no ch\u00e3o. quando o her\u00f3i voltou da sapituca procurou a mo\u00e7a em redor, n\u00e3o estava. ia se erguendo pra busc\u00e1-la por\u00e9m do galho baixo em riba dele furou o sil\u00eancio o miado tem\u00edvel da su\u00e7uarana. o her\u00f3i se estatelou de medo e fechou os olhos pra ser comido sem ver. ent\u00e3o se escutou um risinho e macuna\u00edma tomou com uma gusparada no peito, era a mo\u00e7a. macuna\u00edma principiou atirando pedras nela e quando feria, sofar\u00e1 gritava de excita\u00e7\u00e3o tatuando o corpo dele em baixo com o sangue espirrado. afinal uma pedra lascou o canto da boca da mo\u00e7a e moeu tr\u00eas dentes. ela pulou do galho e juque! tombou sentada na barriga do her\u00f3i que a envolveu com o corpo todo, uivando de prazer. e brincaram mais outra vez. j\u00e1 a estrela papac\u00e9ia brilhava no c\u00e9u quando a mo\u00e7a voltou parecendo muito fatigada de tanto carregar pi\u00e1 nas costas. por\u00e9m jigu\u00ea desconfiado seguira os dois no mato, enxergara a transforma\u00e7\u00e3o e o resto. jigu\u00ea era muito bobo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">teve raiva. pegou num rabo-de-tatu e chegou-o com vontade na bunda do her\u00f3i. o berreiro foi t\u00e3o imenso que encurtou o tamanh\u00e3o da noite e muitos p\u00e1ssaros ca\u00edram de susto no ch\u00e3o e se transformaram em pedra.quando jigu\u00ea n\u00e3o p\u00f4de mais surrar, macuna\u00edma correu at\u00e9 a capoeira, mastigou raiz de cardeiro e voltou s\u00e3o. jigu\u00ea levou sofar\u00e1 pro pai dela e dormiu folgado na rede.&#8221;<\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=1285\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"1285,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim se pariu a cultura brasileira: do meio do mato-virgem sempre se pode esperar alguma sacanagem e muita pregui\u00e7a. M\u00e1rio de Andrade descobriu o culpado: Macuna\u00edma, her\u00f3i de nossa gente!<\/p>\n<script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,7],"tags":[236,233,234,235],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1285"}],"collection":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1285"}],"version-history":[{"count":9,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1287,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1285\/revisions\/1287"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}