{"id":1245,"date":"2010-03-10T15:48:09","date_gmt":"2010-03-10T18:48:09","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=1245"},"modified":"2010-03-14T00:40:54","modified_gmt":"2010-03-14T03:40:54","slug":"pesca-artesanal-exploracao-de-mao-de-obra","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=1245","title":{"rendered":"Explora\u00e7\u00e3o m\u00e3o-de-obra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/marajo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1282\" title=\"marajo\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/marajo.jpg\" alt=\"marajo\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>A pesca artesanal est\u00e1 a acabar em muitas regi\u00f5es da Amaz\u00f3nia. Tempos mais \u201cmodernos&#8221;; dos grandes navios-frigor\u00edfico, das grandes empresas da ilegal \u201cpesca de arrast\u00e3o\u201d, e do desencanto das novas gera\u00e7\u00f5es por esta vida dura. Em Vila do Pesqueiro, na Ilha do Maraj\u00f3, os pescadores acordam cedo por dois reais o quilo. Os atravessadores aguardam o servi\u00e7o e vendem pelo triplo em Bel\u00e9m<\/em><\/p>\n<h5><em><strong> Vanessa Rodrigues<\/strong><\/em><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Raimundo diz que d\u00e1 para \u201csobreviver\u201d e que <\/strong>\u00e9 dinheiro \u201chonesto\u201d. Embora n\u00e3o d\u00ea para &#8220;ficar rico\u201d, o importante \u00e9 \u201csobreviver com dignidade\u201d. O Raimundo diz que \u201cn\u00e3o faz mal\u201d, que j\u00e1 se \u201cacostumou\u201d \u00e0quele modo de vida e que \u201cn\u00e3o vale a pena\u201d reivindicar mais, que n\u00e3o daria em \u201cnada\u201d, que \u201c\u00e9 uma luta dif\u00edcil, mas se parar \u00e9 pior\u201d.\u00a0 Por isso, insiste nesse \u201cmodo de vida\u201d, de \u201csobreviv\u00eancia\u201d: o que pode e consegue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu \u00fanico meio de sustento \u00e9 a pesca, a pesca, ou a pesca. <\/strong>Agora h\u00e1, ainda, o ecoturismo de base comunit\u00e1ria (VEM &#8211; Viagem Encontrando Maraj\u00f3), que a empresa <a href=\"http:\/\/turismoconsciente.com.br\/\" target=\"_blank\">Turismo Consciente,<\/a> em parceria com a E<a href=\"http:\/\/www.estacaogabiraba.com.br\/\" target=\"_blank\">sta\u00e7\u00e3o Gabiraba <\/a>desenvolve com os nativos da Vila do Pesqueiro, na Ilha do Maraj\u00f3, (onde vivem pescadores, pescadores e pescadores). Um projecto \u201ca come\u00e7ar\u201d. Mas \u201cmelhor\u201d: uma alternativa que se conta pelos dedos, \u201cainda\u201d. \u00c0s vezes (&#8220;ainda&#8221; poucas) recebe turistas em sua casa. Daqueles que fogem dos hot\u00e9is, dos resorts e de um certo modo de vida \u201cfabricado\u201d para turista ver. Arma-lhes a rede, faz-lhes comida, leva-os a pescar, a pegar turu nos manguezais (um molusco que nasce nos mangues apodrecidos e muito apreciado pelos nativos: \u00e9 afrodis\u00edaco) e conta-lhes algumas hist\u00f3rias dali: que h\u00e1 um descendente de portugu\u00eas nas redondezas; que aquela vila j\u00e1 foi mais avan\u00e7ada no rio-mar; que a tradi\u00e7\u00e3o da extrac\u00e7\u00e3o do turu se est\u00e1 a perder um pouco mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Raimundo, que tamb\u00e9m \u00e9 D\u00e9lcio, e Jacar\u00e9 <\/strong>\u2013 apelido de adolesc\u00eancia, por ser r\u00e1pido no passo e ardiloso na pesca &#8211;  acorda, \u00e0s vezes, \u00e0s quatro da manh\u00e3. Passa essas madrugadas no rio-mar \u00e0 procura de pratiqueira e tainha. \u201cAntes havia mais variedade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele diz muito: \u201cantes-antes-antes&#8221;, como se parecesse um passado muito distante , quando \u00e9 na realidade um antes muito recente.   \u201cH\u00e1 dois anos conseguia mais variedade.\u201d. \u00c9 verdade, tamb\u00e9m, que n\u00e3o ganha nada. \u00c9 verdade que \u201csobrevive\u201d (j\u00e1 o disse?). \u00c9 verdade que esse modo de vida, dissecado, \u00e9 pobre. Miser\u00e1vel. S\u00f3 que o tempo quente desta Amaz\u00f3nia quase Atl\u00e2ntica, as mangas abundantes e suculentas, a pesca, a farinha barata, encobrem o que poderia ser uma vida mais dif\u00edcil. Do que arrecada com as m\u00e3os, nas redes, vende para o &#8220;geleiro&#8221;: o barco com grandes arcas frigor\u00edficas, que deram a volta ao com\u00e9rcio pesqueiro da regi\u00e3o, subvertendo-o num ciclo vicioso de explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra. Os pescadores para sobreviverem, enredaram-se no neg\u00f3cio. N\u00e3o t\u00eam \u201calternativa\u201d\u00a0 todo o dinheiro, &#8220;mal ou bem, \u00e9 dinheiro&#8221;.   Acordam cedo, pescam o que podem, e vendem o quilo a dois reais (pouco mais do que 40 c\u00eantimos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os \u201catravessadores\u201d (as geleiras) s\u00f3 ficam \u00e0 espera, <\/strong>levam o peixe para Bel\u00e9m, e vendem-no pelo triplo do pre\u00e7o no mercado. Ainda n\u00e3o pensaram em organizar-se na associa\u00e7\u00e3o para acordarem um pre\u00e7o igual, de forma a n\u00e3o colidirem em concorr\u00eancia entre si. N\u00e3o adiantaria, desalenta Raimundo. J\u00e1 h\u00e1, at\u00e9, quem venda mais barato que o \u201cnormal\u201d. No fundo, ele tem receio. No fundo, os pescadores, t\u00eam medo. O dinheiro j\u00e1 \u00e9 t\u00e3o pouco, que correm o risco de ficar sem nenhum, num lugar que vive da pesca, da pesca e da pesca. E, afinal, com medo de os geleiros irem buscar o peixe noutros lugares, onde h\u00e1 ainda outros que vivem da pesca, da pesca e da pesca, e est\u00e3o dispostos, tamb\u00e9m, a ganhar algum, ainda que escasso. Em terra onde ele \u00e9 pouco, &#8220;mal ou bem&#8221;, dinheiro \u00e9 sempre dinheiro, para se &#8220;sobreviver&#8221;, um pouco mais calado, antes que o que est\u00e1 mal, possa ficar ainda pior. O Raimundo n\u00e3o quer que isso aconte\u00e7a. Diz que d\u00e1 para sobreviver. &#8220;\u00c9 o que importa!&#8221;.<\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?p=1245\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"1245,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesca artesanal est\u00e1 a acabar em muitas regi\u00f5es da Amaz\u00f3nia. Tempos mais \u201cmodernos&#8221;; dos grandes navios-frigor\u00edfico, das grandes empresas da ilegal \u201cpesca de arrast\u00e3o\u201d, e do desencanto das novas gera\u00e7\u00f5es por esta vida dura. 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