{"id":2,"date":"2009-05-16T03:23:21","date_gmt":"2009-05-16T02:23:21","guid":{"rendered":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?page_id=2"},"modified":"2009-08-29T19:26:22","modified_gmt":"2009-08-29T22:26:22","slug":"about","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?page_id=2","title":{"rendered":"sinais"},"content":{"rendered":"<p>O mundo come\u00e7a aqui. Sem coordenadas reais. Com b\u00fassolas que sentem. Azimutes desalinhados, que se seguem pelo som do vento, o gosto das \u00e1guas, e o abra\u00e7o das gentes. O mundo come\u00e7a aqui num gr\u00e3o de areia. Numa viagem de mil viagens. Num <strong>alfabeto reinventado<\/strong>: com ar nas veias para levitar. Com rasgos nos olhos para ver mais perto. Almas, cheiros, paladares que se entranham nos poros e reentr\u00e2ncias carnais como lente raio x. N\u00e3o existe?<\/p>\n<p>\u00c9 aqui onde come\u00e7a o mundo. Como <strong>oxig\u00e9nio<\/strong>. Fotoss\u00edntese. Como raiz entranhada que esventra a terra. Desejo carnal que se enrola com a vida, sem medo de se trair. Trair \u00e9 enterrar os p\u00e9s e esperar que o mundo venha. Antes ser p\u00f3, que sonho por fazer.<\/p>\n<p>O mundo n\u00e3o existe. Ele \u00e9. Obra de arte como as viagens que se pintam em n\u00f3s\u2026 Quantas pinceladas tem <strong>uma viagem na alma<\/strong>? As interiores sem latitudes. Quantas m\u00e3os amassam a terra para ser? Quantos lugares que se impregnam em n\u00f3s, antes de saber que existem? Sabem a a\u00e7\u00facar em ponto de rebu\u00e7ado. Adrenalina. Cabelos brancos que escondem hist\u00f3rias. Bilhetes deixados. Mesas velhas onde se ro\u00e7am os copos. Acasos desencontrados.<\/p>\n<p>O mundo \u00e9 casa sem-tecto por onde se v\u00ea o<strong> p\u00f4r-do-sol<\/strong>. Por onde se reinventam as manh\u00e3s. Vidas que n\u00e3o passamos por um instante que o segundo mudou. Viv\u00eancias. Rugas. Papel seda que se enrola \u00e0 m\u00e3o, macio. E se desfaz em combust\u00e3o lenta. Fogo? Terra? Ar? \u00c1gua em queda livre que se escorre e descobre em <strong>texturas<\/strong> com gotas microsc\u00f3picas. Sabias que as gotas a pele n\u00e3o absorve? Sentem intensamente para roubar o que n\u00e3o interessa.<\/p>\n<p>O mundo come\u00e7a com <strong>l\u00e1grimas<\/strong> em busca de oxig\u00e9nio. Sustem a respira\u00e7\u00e3o \u2013 o l\u00edquido ainda escorre. E o mundo \u00e9 s\u00e9men que pare um filho: dois, mil, nove\u2026 \u00c9 rasgos aflitos e embalos de neuroses. Sem tempo. Quanto tempo existe mais? Quantos fios por onde se escorre existem? Miragens. E o meu \u00e9 \u201clente-ampliada-olho-de-peixe\u201d que v\u00ea salgado com um trav\u00e3o adocicado. E entra nos poros da pele para ser mundo a acontecer\u2026<\/p>\n<p>Pega na fruta e rasga-lhe a pele . Lambe os dedos como se resgatasses um vida. Das sete que te d\u00e3o, para multiplicares. Porque o mundo <strong>\u00e9 ber\u00e7o onde come\u00e7am as pegadas<\/strong>. E o olhar \u00e9 gesto abnegado\u2026Como o fogo quando arde at\u00e9 ao fim. Gasta-te. Bebe seiva das palavras que te d\u00e3o. Redescobres em cada homem um alfabeto. Dicion\u00e1rio sentido para decifrar, sem reedi\u00e7\u00f5es e risco de perda de mem\u00f3ria. Amn\u00e9sia colectiva para recordar.<\/p>\n<p>A rota \u00e9 homem em cada quil\u00f3metro. Rendidos ao embalo do rio. Espero por mim em cada porto de homens. Em cada m\u00e3o com <strong>agruras<\/strong> que cosem o sustento em linhas bem dobadas para ser, antes de remendar. Se cada homem for trapo, ent\u00e3o o mundo \u00e9 manta que n\u00e3o cobre ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>O mundo come\u00e7a assim, sempre aqui, <strong>no ponto onde estamos<\/strong>. Onde os acasos acontecem porque seguimos viagem, provamos <strong>o suor e o cheiro \u00e1cido <\/strong>dos <strong>outros <\/strong>que nos adocica a vida. De cada gota que sai do corpo que se transforma em gr\u00e3o-de-a\u00e7\u00facar. O mundo come\u00e7a assim. Quando se arrega\u00e7a as mangas, como pris\u00f5es de (a)bra\u00e7os que querem s\u00ea-lo, porque escondem hist\u00f3rias que s\u00f3 aos quatro elementos sussurram. E esses nunca lhas podem roubar. Apenas ouvir como velhos confidentes.<\/p>\n<p>Por isso, o mundo \u00e9 <strong>livro que nunca folheamos at\u00e9 os sentidos decifrarem os sinais<\/strong> e aprenderem a olhar as <strong>p\u00e1ginas em branco<\/strong> onde se escrevem as <strong>mem\u00f3rias <\/strong>.<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n<p><strong>O Azimute &#8211; Sinais da Gente<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/iconsinais.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-440\" title=\"iconsinais\" src=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/wp-content\/uploads\/iconsinais.jpg\" alt=\"iconsinais\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome ainda n\u00e3o estava na cabe\u00e7a \u2013 e j\u00e1 que falamos disto ele nasceu num boteco chamado \u201cCharme\u201d, em plena rua Augusta, da tamb\u00e9m minha S\u00e3o Paulo, com a Selecta na m\u00e3o numa mescla de \u201csinais\u201d e \u201cgentes\u201d e \u201cviagem\u201d e outras coisas que deixamos para tr\u00e1s, m\u00e9rito da dupla alfvan- e a cabe\u00e7a e os dedos j\u00e1 andavam a prepar\u00e1-lo. Demorou um ano a ser dobado. Agora vou emendando as costuras. Queria, quero, vou: retratar a Amaz\u00f3nia, a brasileira, de que tanto se fala, e t\u00e3o pouco se sabe, mas do ponto de vista de quem l\u00e1 est\u00e1: projectos de desenvolvimento local, acompanhar trabalhos de ONG, conhecer de perto os problemas, as solu\u00e7\u00f5es, as vidas, as culturas, as tradi\u00e7\u00f5es, as dificuldades. Resumindo: saber que texturas, cheiros, sabores, olhares a fazem assim, t\u00e3o \u00fanica, um pouco, agora mais minha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, este projecto pessoal, profissional, de caminhada, \u00e9 uma travessia pela imensa Amaz\u00f3nia brasileira e, mais uma vez, a procura pelas gentes que a fazem, que a vivem, que a sentem. Talvez de mim. O plano de viagem faz-se desde Bel\u00e9m, mergulhando no m\u00e9dio Amazonas, at\u00e9 Manaus. 4 meses \u00e9 o tempo que lhe dei. Se for mais, os sinais e os sentidos o dir\u00e3o, na altura certa.<\/p>\n<div class=\"linkwithin_hook\" id=\"http:\/\/sinaisdagente.com\/blog\/?page_id=2\"><\/div><script>\n<!-- \/\/LinkWithinCodeStart\nvar linkwithin_site_id = 197359;\nvar linkwithin_div_class = \"linkwithin_hook\";\n\/\/LinkWithinCodeEnd -->\n<\/script>\n<script src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/widget.js\"><\/script>\n<a href=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.linkwithin.com\/pixel.png\" alt=\"Related Posts with Thumbnails\" style=\"border: 0\" \/><\/a><script type=\"text\/javascript\">AKPC_IDS += \"2,\";<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo come\u00e7a aqui. Sem coordenadas reais. Com b\u00fassolas que sentem. Azimutes desalinhados, que se seguem pelo som do vento, o gosto das \u00e1guas, e o abra\u00e7o das gentes. O mundo come\u00e7a aqui num gr\u00e3o de areia. Numa viagem de mil viagens. 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